Giovani, Luigi e Montenegro


Giovani, Luigi e Montenegro(Luigi fala com um tiro na testa) – Morri… bosta. Assim começa a peça Giovani, Luigi e Montenegro. O cadáver, o único interessado, tenta elucidar seu próprio assassinato. Ele mesmo, sócio de um ferro-velho de fachada, acorda em pleno necrotério com uma CSI dissecando seu cadáver. Desconfianças, ameaças e muito bom humor.

Gênero: Comédia
Texto: Luiz Carlos Pazello
Direção: Sílvia Monteiro
Elenco: Célia Ribeiro, Raphael Rocha, Lucas Cahet, Caroline Mammarella e Josiane Wolpato
Ano: 2007
Teatro: Regina Vogue e Barracão EnCena


Crítica – Jornal da Comunicação UFPR
Pedro Augusto Souza

Conflito em sociedade resulta em assassinato e o único interessado em desvendar o caso é o próprio morto

Os três personagens, mafiosos, que representam Luigi, Giovani e Montenegro. Um assassinato misterioso. A vítima que retorna a fim de descobrir quem foi o responsável por sua morte. Essa é a premissa básica da comédia policial Giovani, Luigi e Montenegro, em cartaz no Teatro Regina Vogue.

Com texto de Luiz Carlos Pazello e direção de Sílvia Monteiro, ambos fundadores do Teatro Lala Schneider, a peça tem como principal trunfo a interação das três personagens que a nomeiam. Luigi, Giovani e Montenegro são três mafiosos, sócios na administração de um ferro-velho, que se envolvem em conflitos e tramóias que acabam, por fim, resultando no assassinato do primeiro.

Luigi inicia a narração da história dos três após constatar a própria morte. Disposto a entender por que foi morto, ele remonta a história do trio desde sua formação até o momento atual, em que seu corpo se encontra no IML (Instituto Médico Legal).

É este o cenário, que ocupa todo o palco, de grande parte da ação. Uma bancada repleta de objetos, uma maca, dois quadros do corpo humano e grandes gavetas, cujas frentes se abrem, revelando os atores que vez ou outra lá aparecem enquadrados. O uso do espaço é interessante e, apesar de praticamente não se modificar no decorrer do espetáculo, representa bem diferentes ambientes, auxiliado pelos efeitos luminosos e pela música, cheia de referências cinematográficas e da cultura pop.

O humor das piadas é negro e apresenta gancho moderno, está ligado a acontecimentos atuais, temas modernos e situações contemporâneas. Colabora para criar um clima noir, o figurino exagerado, porém adequado, composto por sobretudos, peles e diversos acessórios.

Apenas cinco atores, três mulheres e dois homens, todos jovens, mas totalmente desenvoltos e com bom timing para a comédia. Destaque para a sensual e surpreendente Montenegro, interpretada pela atriz Célia Ribeiro. Junto com ela estão Lucas Cahet, como o malandro Giovani e Raphael Rocha, no papel do falecido, porém sempre presente, Luigi, compondo o harmonioso trio principal. Caroline Mammarella e Josiane Wolpato assumem o comando de três personagens cada. Vale chamar a atenção para a pouco feminina delegada Geraldina, intepretada por Josiane.

Um misto de policial e comédia, que cumpre aquilo a que se propõe: arrancar risos da platéia. De bônus o espectador leva o chamado à reflexão sobre os prós, contras, dificuldades e benefícios das sociedades que, raramente, tem resultado tão positivo quanto a dos três principais atores em cena.

Jornal da Comunicação UFPR – Pedro Augusto Souza


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