Malefícios do Tabaco


Malefícios do TabacoA Peça e o Autor – “Os malefícios do fumo” ou “Os Males do tabaco” foi escrita por Anton Tchekhov em 1887, recebendo uma segunda versão 1904. É uma pequena obra prima da literatura mundial e possui as marcas típicas da poética de Tcheckov: a brevidade, a economia de procedimentos, a linguagem irônica, o humor e o aprofundamento psicológico das personagens. Tchechov foi dramaturgo e escritor russo, e é considerado um dos maiores contistas de todos os tempos. No teatro sua colaboração com o diretor Konstantin Stanislávski, do Teatro de Arte de Moscou, resulta em montagens antológicas, como A Gaivota (1898),Tio Vânia (1899) e As Três Irmãs (1901), responsáveis pela divulgação de sua obra por toda a Europa

Os Malefícios do Tabaco conta a história de Kin, um homem envolvido com dois problemas evidentes: a morte eminente, em virtude dos 30 anos de tabagismo, e o peso de um casamento de 30 anos com uma mulher dominadora. A comicidade proposta por Tchekov seria transformar as desgraças da vida de Kin, numa boa razão para que ele continuasse fumando, apesar de todos os pesares…

Idealizamos nosso espetáculo para que ele possa ser apresentado tanto em teatros quanto em espaços alternativos (salões, refeitórios, ginásios, etc.), para tanto contamos com iluminação e equipamentos de som adequados.
Gênero: Comédia
Texto:
Anton Tchekov – adaptação de Sílvia Monteiro
Direção: Sílvia Monteiro
Elenco: Luiz Carlos Pazello e Nei Mendes
Ano: 2008/2012
Em circulação por 50 cidades do Paraná


Curitiba Interativa
Ilana Stivelberg

Entre Bitucas e Fumaça, os Malefícios do Tabaco
Em meio a tantas discussões a respeito da proibição do cigarro em lugares fechados, nada como uma peça espirituosa e irônica a respeito desse vício. E ela tem dois nomes: Entre Bitucas e Fumaça ou Os Malefícios do Tabaco. O mais curioso é que, apesar da atualidade do tema, o espetáculo é uma adaptação da comédia (ou seria drama?) de Tchecov, ainda do século XIX.

Com um cenário diferente, para não dizer surreal, Kin está entre a vida e a morte em uma tenda de oxigênio com um ofurô de onde saem vapores de efeito curativo. A causa? O vício do tabaco. As consequências? Para nós, espectadores, são muitas risadas. Acabadíssimo em sua meia idade (com direito a tosse ‘de cachorro’ e voz rouca), Kin conversa com seu médico a respeito do ato de fumar. O prazer e o hábito são confrontados com a dependência e as doenças; nesse ponto o conceito da ‘liberdade’ de fumar é bastante discutível. E é daí que parte o grande conflito da peça.

Seja pelo tom auto-destrutivo e ironia melancólica do protagonista ou pelas informações científicas passadas pelo médico, a peça acaba inibindo os fumantes no final do espetáculo. Todos hesitaram antes de acender um cigarro. Poucos acenderam de fato. Meu palpite, no entanto, é que ninguém parou de fumar. Kin, provavelmente, concordaria comigo

Curitiba Interativa – Ilana Stivelberg


Comentário GAZETA DO POVO

O monólogo Os Malefícios do Tabaco, em seu texto original, escrito em 1886 pelo médico, contista e dramaturgo russo Anton Chekhov (1860-1904), se tornou uma das farsas mais populares entre as obras iniciais do escritor.

A versão que se tornaria mais conhecida dessa peça, no entanto, data de 1902. Faz parte, portanto, da chamada escrita madura do autor, que faria suas obras principais entre 1896 e 1904: A Gaivota, Tio Vânia, As Três Irmãs e O Jardim das Cerejeiras.

Em Os Malefícios do Tabaco, Chekhov coloca em cena Ivan Ivanovich Nyukhin (Kin), um marido obrigado por sua esposa dominan a falar ao público sobre os males causados pelo tabaco, sendo que ele mesmo é fumante. A conversa que se segue pouco esclarece de relevante sobre os tais malefícios, e o personagem encerra sua palestra, implorando aos ouvintes que digam à esposa que seu comportamento foi digno.

A diretora Sílvia Monteiro reescreveu o texto, alterando a equação segundo a qual o protagonista costumava transformar suas desgraças em razões para perpetuar o vício. A montagem em cartaz no Teatro Barracão Encena aos sábados e domingos, rebatizada de Entre Bitucas e Fumaça, é um libelo contra o fumo, apresentando-o em sua dimensão mais devastadora.

Essa visão mais contemporânea, que propaga por todos os cantos os prejuízos que o cigarro traz à saúde, se personifica na figura de um médico, que acompanha o doente terminal Kin, em uma tenda de oxigênio dentro de um ofurô, do qual saem vapores curativos.

A liberdade e o prazer de fumar ganham, nessa nova versão, tons patéticos.


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