Novembro


NovembroNovembro mostra o relacionamento entre uma jovem e bela corretora de imóveis (Célia) com um executivo mal-humorado (Charlie), que em princípio vislumbrava apenas algumas noites de sexo.

Os momentos se sucedem e a vivacidade de Sara – que na verdade está morrendo – vai sendo transferida para Charlie; ele troca a gravata e os sapatos por roupas ripongas e chinelos de couro.

Aos poucos, a aventura sexual do trintão revela que Charlie se pendurou num fio desencapado: ele a ama e ela não suporta a ideia de conviver com ele sabendo que vai morrer.

Trinta de novembro é o último dia. A despedida inevitável atinge ambos, mas de formas diferentes. No homem, o medo egoísta da perda da amada. Na mulher, a angústia de ver o amado sofrendo por ela.

Gênero: Comédia
Texto: Sílvia Monteiro
Direção: Sílvia Monteiro
Elenco: Célia Ribeiro, Luiz Carlos Pazello, Fernando de Proença, Letícia Moreira, Denise Giussani, Lucas Francisco, Anderson Carlos e Pedro Monteiro Bittencourt
Ano: 1999
Teatro: Novelas Curitibanas e Cleon Jacques


Crítica Caderno G – Gazeto do Povo
Danielle Brito

Amores e contas erradas

Uma relação datada para começar e terminar e que esconde por trás uma doença incurável que vai matar um dos parceiros. O mote, até um pouco original, não torna Novembro, espetáculo em cartaz no Teatro Cleon Jacques, uma peça de cartas marcadas e situações previsíveis. Despretensioso, o texto de memórias de Sílvia Monteiro (há de se frisar o mérito da autora que transita bem tanto pelo teatro experimental quanto pelo convencional) se revela um retrato sensível de um relacionamento entre uma jovem e bela corretora de imóveis (Célia Ribeiro, como Sara) com um executivo mal-humorado (Luiz Carlos Pazello, como Charlie), que em princípio vislumbrava apenas algumas noites de sexo.

Os momentos se sucedem e a vivacidade de Sara – que na verdade está morrendo – vai sendo transferida para Charlie: ele troca a gravata e os sapatos por roupas ripongas e chinelos de couro. Aos poucos, a aventura sexual do trintão revela que Chartie se pendurou num fio desencapado: ele a ama e ela não suporta a idéia de conviver com ele sabendo que vai morrer. Trinta de novembro é o último dia. A despedida inevitável atinge ambos, mas de formas diferentes. No homem, o medo egoísta da perda da amada. Na mulher, a angústia de ver o amado sofrendo por ela.

Apesar de momentos divertidos, Novembro ganha fôlego não pela intenção de ser uma comédia romântica, mas por que trata o tema amor de um forma sublime e complexa. No fundo, o que a autora diz nas entrelinhas é que amar não é uma operação simples como dois e dois.

O cenário – apesar das limitações proporciona das pelo espaço em forma de arena – funciona bem e colabora com as inúmeras entradas dos atores coadjuvantes. O figurino brinca com os anos 60, numa mistura de hippie com psicodelia. A cena em que Charlie é “forçado” a mudar a indumentária flerta com o hiper-realismo, talvez uma metáfora do que está por vir. Afinal, o que parece óbvio -amar e ficar junto – na vida nem sempre se concretiza no final das contas. E quando dois e dois dão cinco. GGG


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