Quero Falar, Mas a Tempestade Não Deixa


Quero Falar, Mas a Tempestade Não DeixaAdaptação de Pagu Leal para o texto “A Tempestade” de William Shakespeare.

No enredo do espetáculo, experimental por excelência e classificado como uma “comédia um pouco cruel”, conta a história de personagens que querem montar uma companhia para sair da ilha em que estão. O texto, revitaliza a idéia original de Shakespeare, trazendo a história para a atualidade.

A história se passa em um antigo teatro decadente, em algum lugar muito distante, no qual Ariel vive como um ghost writing confinado em um sótão. No meio de sua crise criativa, Prospero, o dono do Teatro, encomenda a Ariel um último texto que irá lhe valer a tão sonhada liberdade, desde que seja o melhor que ele já escreveu.

No meio desta árdua tarefa de escrever e ensaiar o espetáculo, Ariel ainda enfrenta as exigências de Miranda, a vaidosa atriz filha de Prospero, e as constantes interrupções de Calibam, o contra regra que quer transformar-se em ator.

Gênero: Comédia
Texto: Pagu Leal
Direção: Silvia Monteiro
Elenco: Pagu Leal, Luiz Carlos Pazello, Caroline Mammarela e Adriano Peterman
Ano: 2006
Teatro: José Maria Santos


Caderno G – Gazeta do Povo
Rogério Waldrigues Galindo

Comédia baseada em clássico “A Tempestade” estréia em Curitiba

William Shakespeare é uma obsessão para quem faz teatro. Em uma cidade grande, que tenha mais de meia dúzia de grupos produzindo espetáculos, dá para apostar que todo ano vai haver pelo menos uma montagem de um texto do escritor. Mais do que isso: quase com certeza vai haver uma outra peça que não é integralmente shakespeariana, mas que é baseada em um dos clássicos dele. Podem ser desde brincadeira bem-humoradas até análises em formato experimental.

Exemplos não faltam. No ano passado, por exemplo, subiu ao palco em Curitiba uma versão cômica de “Hamlet”, que situava o príncipe dinamarquês em Chicago, nos anos 30, em meio a um bando de mafiosos. Uma outra versão de “Hamlet”, mais experimental, foi a cena Telmah – que é o nome do personagem ao contrário. Recuando mais, é possível encontrar no teatro curitibano peças como “Macacabeth” e “Hamletrash”, entre outras, além de dezenas de versões para crianças.

Este ano, em Curitiba, a primeira brincadeira com a obra do autor já vai ao palco nesta quarta-feira(22). “Quero Fala Mas a Tempestade Não Deixa” é uma adaptação da última peça escrita por Shakespeare, “A Tempestade”. A versão curitibana foi escrita pela atriz Pagu Leal, que vem trabalhando na peça desde 1998. “Cheguei a escrever uma primeira versão do texto, mas ela foi perdida. Agora, resolvi fazer tudo de novo e estamos prontos para estrear”, conta ela.

A peça é uma “comédia um pouco cruel”, na definição do ator Luiz Carlos Pazello, que interpreta o principal personagem masculino, Prospero. “A trama passa a ter muita relação com o próprio teatro. Os personagens querem montar uma companhia para sair da ilha em que estão, conta ele, que está indicado ao Troféu Gralha Azul de ator coadjuvante deste ano pela peça “Captu Memória Editada”.

A idéia de fazer a versão de Shakespeare surgiu de um texto lliterário e de uma conversa. O texto foi o ensaio “Ariel”, escrito pelo uruguaio José Henrique Rodó em 1900. A conversa foi entre Pagu e a diretora Sílvia Monteiro. “Contei para ela como o texto falava do potencial que a América do Sul traz para o artista e falei da minha idéia para a peça”, diz Pagu. Desde então, as duas trabalharam juntas no projeto.

Pagu diz que a necessidade de se montar versão de Shakespeare surge de dois fatores diferentes. Por um lado, os textos são imperdíveis, e não podem ser deixados de lado. Por outro, para o público contemporâneo, ela acredita que alguns aspectos das montagens tradicionais podem ser problemáticos. Primeiro, devido ao tramanho do espetáculo completo, que normalmente ultrapassa as três horas de duração. Depois, porque ela acredtia que muitas vezes a história funciona melhor se for trazida para o mundo atual.

Para a diretora. a estréia em um ensaio aberto, na noite desta terça-feira, vai ser um teste importante para o espetáculo, que passa a ter sessões regulares a partir de amanhã. “Nós fazemos algumas pequenas ousadias, rompendo o distanciamento entre a platéia e os atores. Já estivemos convidados assistindo aos ensaios, mas com o público completo ainda não nos apresetamos”. comenta ela.

Gazeta do Povo – Rogério Waldrigues Galindo


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